O trantorno somatoforme e o “furo” no saber médico: uma crítica ao manual piquiátrico.
LUÍSA FROMER. Dissertação de Mestrado, Instituto de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo.
Esta dissertação propôs a investigação, a partir do método psicanalítico, das consequências dos avanços científicos no panorama da psiquiatria contemporânea. Partindo de sua experiência de trabalho como analista no Ambulatório de Transtornos Somatoformes (SOMA), inserido no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC-FMUSP), a pesquisadora analisou a hipótese de que o diagnóstico do transtorno somatoforme, por sua especificidade sintomática - manifestações fisiológicas -, produziria um enigma ao discurso médico e, assim, seria capaz de precipitar uma brecha quanto à violência do ato classificatório do sujeito proposto pelo DSM. Examinou-se historicamente como se consolidou o manual hegemônico na psiquiatria — DSM — e sua aliança com a indústria farmacêutica, e as consequências advindas desse processo: o abandono da prática clínica psiquiátrica e, como resultado, o apagamento do sujeito na prática psiquiátrica. Investigou-se de maneira crítica a precipitação de um novo horizonte na atualidade psiquiátrica: a psiquiatria neurológica e a possibilidade do mapeamento da doença mental. Utilizou-se a compreensão da neurose de angústia, em Freud, e do fenômeno psicossomático proposto por Lacan como possibilidades de leitura do diagnóstico do transtorno somatoforme, ao invés do encaixotamento a partir da proposta diagnóstica do manual DSM. A partir do compartilhamento da experiência de trabalho no ambulatório SOMA, buscou-se através da transmissão da ética psicanalítica do sujeito de desejo e do sujeito do inconsciente, postulada por Freud, a viabilização da retomada da prática psiquiátrica clínica para os residentes de psiquiatria em formação.
Palavras-chave: Transtorno Somatoforme. Fenômeno Psicossomático. DSM.