Orientações para pacientes e familiares

 As informações destinadas a pacientes e seus familiares foram traduzidas do site www.neurosymptoms.org por Bruna Bartorelli mediante autorização de seu organizador, Professor Jon Stone, neurologista especialista em transtornos neurológicos funcionais da Universidade de Edimburgo, Escócia.

O que é Distonia Funcional?

Pacientes com distonia funcional podem apresentar os “dedos enrolados” ou as “mãos fechadas”. Outro problema comum na distonia é a frequente inversão do pé.

Essas posturas “anormais” podem ser difíceis ou mesmo impossíveis de mudar e por isso às vezes são designadas de “distonia fixa”.

O vídeo ao lado mostra o quão “fixas” essas posturas podem se tornar. (link do video youtube)

Esse pode ser um problema temporário intermitente (espasmo) ou mais crônico (o que geralmente é chamado de distonia fixa/funcional).

 
dedos enrolados

O que está acontecendo de errado na distonia funcional?

 

Todo mundo tem um “mapa” do seu corpo e dos membros no seu cérebro.

Em termos gerais, o que parece acontecer na distonia funcional é que esse mapa, por diversas razões, está equivocado. O cérebro entende que a posição da mão enrolada ou do tornozelo torcido é normal, mesmo que a pessoa saiba que não é.

Lesões físicas, fraqueza no membro e imobilidade podem ser causas que levam à distorção desse mapa no cérebro.


O desafio do tratamento é tentar “reciclar o cérebro” para que ele possa aprender qual deve ser o “mapa normal” do membro.

Sobreposição com síndrome da dor regional complexa - SDRC

 

Há uma sobreposição aqui com uma condição chamada síndrome da dor regional complexa (SDRC). Você poderá ler sobre isso em Dor regional complexa. linkar

Nos pacientes com SDRC, a dor é sentida em um membro e não desaparece, ou ainda piora, muito tempo após a lesão ter cicatrizado. A distonia funcional é uma das complicações da SDRC.

A dor é comum em pacientes com distonia funcional, mas é possível que ela apareça também sem dor.

Como é feito o diagnóstico da Distonia Funcional?

 

O diagnóstico da distonia funcional deve ser feito por um médico que esteja familiarizado com as diferentes causas de distonia. A distonia funcional geralmente começa de repente, mas pode ser gradual.

O desenvolvimento de uma nova distonia de início num adulto que se parece com as imagens acima, particularmente se estiver associado a outros sintomas neurológicos funcionais e, especialmente, se surgiu relativamente de repente, seria um forte indício de distonia funcional.

Pode seguir-se a uma das seguintes situações:

 
 

Uma lesão física no membro ou dor no membro. Como descrito acima, a distonia funcional pode ocorrer como parte da síndrome da dor regional complexa;

Após um período de imobilidade prolongada, especialmente em associação com fraqueza funcional do membro;

Uma causa adicional subjacente leve de distonia que se tornou “amplificada” pela distonia funcional.

Como se distingue das outras formas de distonia?

 

A distonia é um termo neurológico para a contração muscular anormal e persistente, que leva a uma mudança na postura. Existem muitas formas de distonia, incluindo câimbra do escrivão, distonia cervical (às vezes chamada de torcicolo) e distonia generalizada. Ela também pode ocorrer em uma infinidade de transtornos neurológicos.

Alguns desses tipos de distonia, como a câimbra do escrivão, não estão associados a doenças cerebrais. Então por que eles também não são classificados como transtornos funcionais? O primeiro ponto é que o transtorno funcional é genuíno.

Mas os transtornos funcionais são caracterizados por seu potencial de reversibilidade. Portanto a distonia funcional, mesmo quando aparentemente corrigida, pode às vezes melhorar sob hipnose ou com fisioterapia, enquanto essas outras formas de distonia raramente respondem a esses tipos de tratamento.

Além disso, pacientes com câimbra do escrivão não tendem a apresentar outros sintomas funcionais e transtornos descritos neste site, enquanto os pacientes com distonia funcional geralmente apresentam. Não há como negar, porém, que a distonia funcional é um bom exemplo de como é difícil, e talvez até falso, dividir os problemas entre aqueles em que há uma “doença” e aqueles em que ela não existe.

Técnicas específicas de fisioterapia
para aliviar os sintomas da Distonia Funcional

  • Mude a postura de quando se está sentado e em pé;

  • Dessensibilize o membro afetado usando técnicas aprendidas para a síndrome da dor regional complexa;

  • Olhe para um espelho para dar ao seu cérebro um feedback de que o membro não está na posição correta. Por exemplo, alguns pacientes contam que sentem que o pé está reto, mesmo quando ele está curvado;

  • Um espelho pode ajudar a “enganar” o seu cérebro e corrigir a postura anormal do pé ou da mão para uma postura normal. Esta é a mesma técnica usada em pacientes com dor fantasma e também na SDRC;

  • Pratique “imaginar” o seu pé ou a sua mão novamente na posição normal.

Ainda estão sendo descobertas as técnicas específicas mais úteis na distonia funcional.
Como princípio geral, tentar mover a parte afetada é realmente importante.

Dúvidas